Colecionador-de-desenhos mirim
Não sei como se formavam, mas se formavam grupos de amigos esporádicos nos corredores do Hotel Casagrande no Guarujá, quando minha avó fazia leilões lá. Minha brincadeira era sentarmos todos nas grandes mesas redondas a beira da piscina e, a noite, ficarmos desenhando. O fato de ter um garoto que colecionava os desenhos dos demais garotos animava todos eles a desenharem mais. Mágica de criança. E eu era esse garoto que colecionava desenhos. Até hoje tenho esses desenhos guardados. Na época tinha uma novela de muito sucesso, Pantanal, e a atriz principal estava hospedada com o namorado, um roqueiro de sucesso nos programas matinais do SBT. E fomos lá com a turminha tentar descobrir em qual quarto o casal estava. Meu irmão descobriu a informação – o número do quarto – mas não tinha coragem de ir lá falar com eles, tal era a emoção de ver uma atriz linda de verdade em carne e osso. E eu, mais novo, mais desavisado da vida, fui lá com a turminha bater na porta do quarto. A hora que a atriz apareceu, atrás do ombro do rapaz, foi mágico! Não acreditávamos estar vendo a moça da TV ao vivo.
Anos mais tarde foi surpreendente ver essa mesma moça no
Faustão, ao lado da filha gorda, dizendo o quanto sofreu com a obesidade na
infância.
Tudo que uma mulher devia ser, na novela, ela revelava um a
mais. Era a moça da natureza, da selva, que conhecia o pantanal de viver com as
onças. E de repente ela estava num quarto de hotel, enjaulada num quarto de hotel! Foi um desses momentos
mágicos da infância, como ver um show do Michael Jackson ou assistir Batman
pela primeira vez aos 7 anos com a mãe e a turminha de amigos da escola.
Era uma época que eu tinha o dom da amizade. De fazer meu
bandinho de maloqueiros e caminhar pela escola, pelo hotel e inventar coisas
legais para fazer.
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