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Má fé e desordem

Estou fazendo um curso de Arte Concreta, Neo Concreta até Arte Contemporânea. Um curador jovem, de 40 e poucos anos de idades, que reuniu uma turma para ele dar aula e eu entre essas pessoas. O curador é competente, expressa bem os consensos de época e de área. Nem tudo concordo com ele mas sei quando é a opinião dele e quando se trata da transmissão de uma opinião mais consolidada. "A passagem da arte moderna para a arte contemporânea se dá pela recusa da arte como fetiche, estabelecendo relações com os meios expositivos que vão além de serem objetos de consumo." Se não me engano essa foi a frase que ele usou para inaugurar a arte contemporânea em seu curso. Hoje fui no dicionário virtual buscar o significado da palavra fetiche, mas antes de falar disso, bem, é verdade que esse conceito de recusar uma arte como fetiche teve consequências imediatas. Um fetiche é algo que se pode colocar de baixo do braço e levar para casa. Logo a arte com suporte (tela, papel, escultura) pass...

Ondas do mar em cores - as gerações passam e ficam

 Hoje vi um pronunciamento do candidato Boulos no Instagram. Ele falando candidamente que a eleição de 2020 pode significar o início de uma nova geração. Ele pegou COVID e antes de um pronunciamento oficial, fez esse vídeo para o Instagram. Uma vez fui numa loja de materiais artísticos e uma senhora de 70 anos ou mais estava virando as páginas de um livro caro: isso aqui é uma porcaria, nada aqui tem qualidade... e ela insistia: isso aqui não é bom. Ela olhava para mim, e comecei a dar atenção a ela, que me indagava: você não concorda? Eu devia ter uns 16, talvez 20 anos. Cinquenta anos entre eu e ela. Me surpreendia pois era um livro de Van Gogh. Ela era tão verdadeira... Me lembrei agora de minha avó lendo jornal. Tinham matérias que ela concordava, matérias que ela discordava. Na época eu achava um absurdo. Oras, pensava eu, se está no jornal, está tudo certo. Ignorante é ela que pensa assim. Mas depois de algum tempo percebi que ela estava certa. A ponderação ao se ler algo esc...

Minha primeira obra-de-arte

A história que vou contar trata de nenhum evento conflituoso. É a descoberta de um novo mundo. Meu corpo, quando eu era criança, basicamente se estendia a meu quarto. Ele era minha mente e minha matéria. A mesa, a cama, os armários, tudo bagunçado. Era ali que eu me encontrava, em minha desorganização eu sempre sabia aonde achar as coisas. Meu pai me ninava olhando para a avenida Faria Lima: a profusão de vermelhos nas lanternas dos veículos impressionava-me desde criancinha. A janela era meu quarto, eu era meu quarto. Um dia colam algumas estrelinhas no céu de meu quarto, daquelas fosforecentes que brilham no escuro. Eu esperava elas apagarem depois das luzes serem apagadas e dormia. Um dia algo muito especial aconteceu: colaram uma estrelinha do lado da minha cama. De tanto que eu gostava, colocaram uma perto de mim. Quando pintaram o quarto, esqueceram-se de retirar a estrelinha. Ela foi pintada junto e até hoje sei o relevo da onde ela está, do lado de minha antiga cama. Os...

Colecionador-de-desenhos mirim

Não sei como se formavam, mas se formavam grupos de amigos esporádicos nos corredores do Hotel Casagrande no Guarujá, quando minha avó fazia leilões lá. Minha brincadeira era sentarmos todos nas grandes mesas redondas a beira da piscina e, a noite, ficarmos desenhando. O fato de ter um garoto que colecionava os desenhos dos demais garotos animava todos eles a desenharem mais. Mágica de criança. E eu era esse garoto que colecionava desenhos. Até hoje tenho esses desenhos guardados. Na época tinha uma novela de muito sucesso, Pantanal, e a atriz principal estava hospedada com o namorado, um roqueiro de sucesso nos programas matinais do SBT. E fomos lá com a turminha tentar descobrir em qual quarto o casal estava. Meu irmão descobriu a informação – o número do quarto – mas não tinha coragem de ir lá falar com eles, tal era a emoção de ver uma atriz linda de verdade em carne e osso. E eu, mais novo, mais desavisado da vida, fui lá com a turminha bater na porta do quarto. A hora que a atriz...

Onde vive a inquietação das pessoas

Eu acredito em mentiras, mas mais que mentiras, eu acredito que tem verdades que valem a pena ser verificadas mais de uma vez. Hoje estava me perguntando: como mediram o diâmetro da Terra? Meu carro tem 241 mil quilômetros rodados, não me lembro se a circunferência da Terra é aproximadamente 240 mil ou 360 mil quilômetros. Como aceitaram a medição que fizeram? Por quê cada País não mede a circunferência da Terra novamente, para nos dizerem se é verdade? Qual foi o método? Não basta imaginarmos soluções e acreditar que isso explica. No fundo no fundo, será que é verdade o método que imagino? Imagino que um satélite tira fotos e mensura o tamanho da Terra a partir dessas fotos. Mas e se meu método estiver errado? E se cada fotograma desconsiderar algo? A imprensa fala: 20% do Pantanal ardeu em chamas esse ano. Vemos algumas fotos e mais nada. Oras, não dá para apagar as luzes dos satélites lá em cima e filmar os 20% do Pantanal queimando? Qual a dificuldade de um satélite filmar as...

saltos ornamentais- minha experiência mediocre

É difícil pensar em um evento conflituoso. Quando eu tinha 12 anos aconteceram várias coisas, uma delas foi minha iniciativa de fazer saltos ornamentais no clube Pinheiros. O clube não era o que é hoje. Um gordinho foi na cama elástica e a rasgou. Os professores nos faziam correções posturais mínimas e eu não me importava de fazer algo tão específico, sutil, embora aquilo me incomodasse. Eu simplesmente ia, pelo meu desejo de fazer piruetas no ar. O que nunca fiz. Quando surgiu o desafio de fazer mortais, já havia passado seis meses e foi justamente a época do frio. Era muito desconfortável dar de costas com a água fria. É a cama elástica, que poderia nos auxiliar com treinos de mortal antes de cair na água, continuava rasgada. Eu sempre fui meio preguiçoso para esportes, quando a atividade era três vezes por semana, eu ia duas. Quando era duas, eu ia uma. Ser mais disciplinado é um desafio que trago para vida adulta. E fico pensando como seria a vida sendo mais forte. Algumas pessoas ...

Contra a intervenção do Superior Tribunal Militar

Em vídeo de fala mansa, recentemente um grupo não identificado fez uma tese de que todos os corruptos sejam julgados pelo Superior Tribunal Militar pois, no princípio, segundo o vídeo, o povo se uniu ao Exército para fundar o Estado. Sem contar como, este seria um momento de voltarmos ao princípio da suposta gênese de criação do Estado e irmos todos as portas dos quarteis pedir, com patriotismo no coração, a intervenção do STM sem derrubar Congresso e STF. A agenda positiva do governo federal se viu eclipsada primeiro pelo ano eleitoral e depois pela pandemia do coronavírus. A celeridade de uma intervenção é citada no vídeo, não obstante trata-se de um ano praticamente perdido pela estrutura de nossa democracia impor ano eleitoral ano sim, ano não. O vídeo defende intervenção militar com o atual presidente no poder. Entretanto, não diz quem vai dizer quem são os corruptos. Afirma que todo o Congresso é corrupto, o que discordo. As renovações da Câmara e do Senado nas eleições 2018 fo...