Como meus dentes caíram

Penas plumas de travesseiro esvuassam minha imaginação latente. Como seria se fossem soltas ao ar da janela daqui de casa. Cenas que vemos em filmes mas que não fazemos em casa.
A hora de ter um filho. Levar tudo adiante do jeito que dá ou esperar o melhor momento, levando a vida como uma trincheira esperando o melhor momento de lançar uma nova geração a vida nessa vida que temos.
Como pensar o futuro sem ninguém mais?
Como gostar do presente como tudo o que tenho?
Como fechar as pontas das ausências de ação conjunta?
O que nos leva adiante, todos os dias, que pode ser potencializado?
Existe a obrigação de escrever e o escrever algo sobre algo que se planeje.
Tema: descrever como eram os dentes sendo arrancados, na infância.
Eles doíam, caiam lentamente, até sentir o nervinho mais fino se desgastar aos poucos. Eu não sabia se estava tudo bem. Os dentes do fundo tinham nervos grossos. Era um convívio com a dor constante. E mexendo os dentes para lá e para cá, tentando encontrar algum prazer, até, na dor. Mas era só dor. E o drama de ver novamente um nervo solto sobre uma banguela.
É fácil escrever quando se tem algo a dizer. O exercício da escrita como um jeito de se aquecer para ser escritor. Será que é o jeito, será que é um caminho bom a se seguir? Tantos grandes escritores e eu aqui, sem competência para lê-los, e querendo escrever. Por quê? Para aproveitar um dom que tenho. Mas como dizer que o texto escrito tem a mesma força do texto falado, enquanto transmissor de novas ideias na cabeça de quem lê, não necessariamente que seja um discurso que nunca foi dito, como muitas vezes o é.

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