Sobre as longas distâncias

Hoje estou a pensar em como o planejamento de locomoções está se tornando cada vez mais difícil de pensar.
Daqui a pouco vou fazer compras, e vou trazer as compras de alimentos para casa; depois vou a aula de Aikido, depois vou para minha casa. Essa noite dormi na casa de minha mãe.
Logo vou fazer uma nova faculdade, vou mudar de casa para ficar mais perto da faculdade e viver num bairro mais habitado. Perdizes, eu conheço pouco aquela região. Dá medo, fico assustado. É um bairro bom, mas de novo as distâncias. A cada vez que for visitar um apartamento para alugar na região, vou ter de pegar dois ônibus... em viagens curtas é verdade. Mas vou ter de ficar esperando o Ônibus certo chegar duas vezes. E depois subir uma ladeira grande para chegar até Perdizes. E depois voltar para casa.
Fico vagando em pensamentos e sentimentos.
Talvez eu esteja precisando jogar fora os materiais das colagens que são sobras, e fazer novos cartões de cores. Fazer colagens grandes é penoso. É como escrever uma página com linhas compridas demais.
Está tudo muito difícil de fazer e pensar.
As consultas com o psiquiatra não giram em torno de sugestões de comportamentos mais assertivos. As vezes eu me pergunto o que eu estou fazendo quando estou em sessão com o psiquiatra. Eu estou doente e a luz que havia quando estava doente foi-se embora. A medicação traz um monte de problemas. Uma leve e predominante disposição a ficar de cama. Ai surgem pensamentos inconvenientes. Ai surge ansiedade. E um jeito de ver a vida que vai tornando as conclusões sobre o aproveitamento do tempo presente meio que difíceis de entender.
Eu fui me isolando, isolando, isolando, para me concentrar, concentrar, concentrar. O que eu acabei não conseguindo fazer direito. Tenho dificuldade de leitura. E fiquei isolado. É verdade que o medicamento traz uma inibição muito grande. Pois, segundo o psiquiatra, antes eu estava excessivamente desinibido. É um drama. Mas, na prática, o telefone não toca. Eu poderia ligar para algumas pessoas. Para o Antenor e a Camila, de Brasília, para o Luis Alberto, amigo novo aqui de São Paulo, para o Caetano que não vejo a bastante tempo e está envelhecendo. Mas o que falar com as pessoas? E para ir até elas, mais uma vez entra a questão das distâncias. Estou para almoçar com o Gilberto faz meses. Fico com medo das distâncias da cidade. E quando estou em casa, fico me perguntando o que fazer para aproveitar melhor o tempo fora de casa. A necessidade de ir as vernisages, de ver gente. Mas não é só isso. Eu preciso aprender a falar melhor de meu trabalho.
Vejo gente da mesma idade que está bem mais avançados nas soluções de vida do que eu. Eu me dediquei a criar um bom ambiente de trabalho. E consegui. Mas falta um veio de nutrição. Talvez falta ligar o trabalho a videira que é Jesus. Eu não sei como fazer isso. O próprio trabalho é uma manifestação de vida, vida essa que não vem de mim, que transmito aquilo que eu faço. Da onde vem a vida?
O Zé Maurilio me liga ontem, pedindo para eu ir visitá-lo. Ele mora na Brasilândia, mais um percurso. São Paulo é a cidade dos longos percursos. Tudo que se vá fazer leva 40 minutos, uma hora de trânsito para ir e para voltar. E as vezes há três compromissos no dia. Ai aglutinasse os compromissos por proximidades geográficas. E as vezes com longos intervalos de tempo entre eles.
Eu gostaria de viver numa cidade menor.
Eu não consigo viajar muito. Como tem gente capaz nesse mundo. Vai a Itália, a Portugal, ao Recife. Eu não consigo ir até Mogi das Cruzes visitar o amigo novo Thiago.
Ontem fui a aula de inglês, na rua Augusta, depois peguei um ônibus e fui a duas galerias na rua Estados Unidos. Peguei outro ônibus na rua Augusta e desci até o MIS. Peguei um projeto que foi recusado e fui andando até outra galeria onde vi uma exposição que contribuiu com meu trabalho. Andando fui até outra galeria de leilões na mesma rua. E andando fui a uma outra galeria, de um amigo, na rua Groenlândia. Numa dessas galerias encontrei um amigo, só dei um oi, não consegui estabelecer conversa.
Teve exposição dos lotes na galeria do Sérgio, não consegui ir até lá ver como ficou a mostra. Estou com dinheiro e não fui a Santos descansar três dias como gosto de fazer.
Vou fazer compras.

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