Exame de faixa de Aikido, faculdade nova e a situação do papai

Estou prestes a fazer o exame de faixa azul de Aikido. Hoje, sábado, véspera do exame, me deu vontade de fazer nada. Então fiquei em casa. Quando decidi ir ver uma exposição, começou a chover. Então estou assistindo aos vídeos de exames de outros aikidocas, de 2015, que prestaram o mesmo exame que eu.
Essa semana fui admitido numa faculdade de artes visuais. Fico pensando em como as pessoas vão reagir a isso. A experiência no ateliê de desenho foi tão positiva no sentido da turma se entrosar e ir para frente que fiquei imaginando que uma faculdade pudesse fazer um bem enorme.
Eu deixei de aproveitar melhor o curso de desenho pois ficava fazendo minhas colagens no meu ateliê enquanto reinava os retratos apenas nas aulas de desenho. Talvez eu tenha de entrar num acordo comigo mesmo de, para aproveitar melhor o curso, não me dedicar tanto a fazer minhas obras finais em ateliê. Para viver o processo.
E atingir alguns objetivos que talvez estejam a minha disposição. Quero ser um grande retratista, ainda que ao meu modo. É tudo tão misterioso quanto ao futuro. Mas eu quero aprender, aprender a ser um artista melhor e tentar viver com colegas é uma novidade e tanto. Com um time de professores.
Há quem diga que é desnecessário eu fazer o curso. Mas eu sinto que é necessário. Acho rude quando Cézanne disse que teve apenas algumas aulinhas antes de pintar seus próprios quadros. Quê aulinhas foram aquelas? E se ele estudasse mais, seria um pintor melhor ou pior? Seria diferente. Acho que é da minha época a atenção que se dá às formações profissionais. E a academia voltou. Não como Belas Artes para que os artistas sejam Delacroixs. Mas há um sentido de orientação e até ambientação com o que se está fazendo em arte hoje em dia e aos procedimentos de montar projetos expositivos, que acho que vou chegar num bom resultado.
É um projeto de 4 anos. Eu estava estudando inglês de repente me vejo diante de um projeto que vai me firmar mais 4 anos aqui no Brasil. Sim, tem as férias, posso viajar. Mas eu estava pensando num curso estrangeiro de idiomas. E meu trabalho no exterior seria minimamente mais valorizado. Ainda assim, eu acho que encaixando as peças certas, o resultado será melhor.
Eu consegui uma bolsa. Minha mãe está de boa vontade em me contratar na empresa dela para um serviço de produção de vídeos em troca do pagamento da faculdade. Vou ter de estudar duro para aprender a fazer edições e produção de vídeos.
Logo vou mudar de apartamento. Vai dar um trabalhão fazer a mudança, mesmo que contratando gente para carregar os móveis todos. E essa disposição e energia de minha mãe para uma nova fase do filho vem a me animar e levar para frente. Mas quando estou sozinho, vem dúvidas a mente. Fico pensando, será que o que estou fazendo é bom mesmo? As pessoas ficam fascinadas. Quando eu paro de ver meus trabalhos, começo a duvidar deles; mas ai eu os observo novamente e minhas forças voltam.
Meu pai está envelhecendo mais rápido que as outras pessoas. Ele ter virado o chefe cuidador de minha avó foi muito desgastante para ele. Eu simplesmente não sei o que fazer para dar uma grama sequer de alento para ele. Ele está num desgaste imenso e muito frágil. Ele se apega a tarefas simples, como desenhar os pés de uma mesa de trabalho, e isso toma semanas das intenções dele. Deus Pai o ajude a ter uma saúde melhor. Foi muito difícil o que ele viveu para cuidar da mãe dele na reta final de vida da avó Léa. Ele ficava presente, mas ausente. Ficava na área de serviço lendo enquanto uma das duas cuidadoras, ou da emprega doméstica, cuidavam de minha avó. Ele montou uma infraestrutura de cuidados para Léa muito forte. Mas estar presente o tempo todo o foi desgastando. Porque ele não cuidava das coisas dele. Porque a Léa brigava com ele por tudo. Logo, ele reagia. E ai as coisas pioravam. Ele está tão ligado a Léa que esqueceu, em parte, os conflitos dos últimos 6 anos. Ele acabou perdendo a mãe super ligado e amando ela. É como se os defeitos dela fossem desligados e ficassem apenas as notas de luz, brilho e especificidades positivas.
Como os livros da Léa. Eu recolhi alguns livros para mim, é só coisa finíssima. Não é a toa que ela chamava os livros de amigos. Amigos mesmo. Fernando Pessoa, Carlos Drumond de Andrade. Livros lindos. Peguei para mim. São livros publicados na época que foram escritos, provavelmente. Livros de 1965...
É muito estranho o Brasil não ter um projeto cultural forte. Temos artistas brilhantes. Basta reverenciar o que é nosso. Em Porto Alegre na mesma rua central tem memorial Fernando Sabino e memorial acho que do Luis Fernando Veríssimo, se não me falha a memória. No Rio de Janeiro, será que tem um memorial Carlos Drummond de Andrade? Acho difícil, como dizia minha avó.

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