Não sei como se formavam, mas se formavam grupos de amigos esporádicos nos corredores do Hotel Casagrande no Guarujá, quando minha avó fazia leilões lá. Minha brincadeira era sentarmos todos nas grandes mesas redondas a beira da piscina e, a noite, ficarmos desenhando. O fato de ter um garoto que colecionava os desenhos dos demais garotos animava todos eles a desenharem mais. Mágica de criança. E eu era esse garoto que colecionava desenhos. Até hoje tenho esses desenhos guardados. Na época tinha uma novela de muito sucesso, Pantanal, e a atriz principal estava hospedada com o namorado, um roqueiro de sucesso nos programas matinais do SBT. E fomos lá com a turminha tentar descobrir em qual quarto o casal estava. Meu irmão descobriu a informação – o número do quarto – mas não tinha coragem de ir lá falar com eles, tal era a emoção de ver uma atriz linda de verdade em carne e osso. E eu, mais novo, mais desavisado da vida, fui lá com a turminha bater na porta do quarto. A hora que a atriz...
Hoje vi um pronunciamento do candidato Boulos no Instagram. Ele falando candidamente que a eleição de 2020 pode significar o início de uma nova geração. Ele pegou COVID e antes de um pronunciamento oficial, fez esse vídeo para o Instagram. Uma vez fui numa loja de materiais artísticos e uma senhora de 70 anos ou mais estava virando as páginas de um livro caro: isso aqui é uma porcaria, nada aqui tem qualidade... e ela insistia: isso aqui não é bom. Ela olhava para mim, e comecei a dar atenção a ela, que me indagava: você não concorda? Eu devia ter uns 16, talvez 20 anos. Cinquenta anos entre eu e ela. Me surpreendia pois era um livro de Van Gogh. Ela era tão verdadeira... Me lembrei agora de minha avó lendo jornal. Tinham matérias que ela concordava, matérias que ela discordava. Na época eu achava um absurdo. Oras, pensava eu, se está no jornal, está tudo certo. Ignorante é ela que pensa assim. Mas depois de algum tempo percebi que ela estava certa. A ponderação ao se ler algo esc...
Estou fazendo um curso de Arte Concreta, Neo Concreta até Arte Contemporânea. Um curador jovem, de 40 e poucos anos de idades, que reuniu uma turma para ele dar aula e eu entre essas pessoas. O curador é competente, expressa bem os consensos de época e de área. Nem tudo concordo com ele mas sei quando é a opinião dele e quando se trata da transmissão de uma opinião mais consolidada. "A passagem da arte moderna para a arte contemporânea se dá pela recusa da arte como fetiche, estabelecendo relações com os meios expositivos que vão além de serem objetos de consumo." Se não me engano essa foi a frase que ele usou para inaugurar a arte contemporânea em seu curso. Hoje fui no dicionário virtual buscar o significado da palavra fetiche, mas antes de falar disso, bem, é verdade que esse conceito de recusar uma arte como fetiche teve consequências imediatas. Um fetiche é algo que se pode colocar de baixo do braço e levar para casa. Logo a arte com suporte (tela, papel, escultura) pass...
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