Como melhorar as pinturas

Quando eu tinha 21 anos fui para Ilhabela e fiz 40 desenhos de marinhas. Depois fiz 12 telas de marinhas, lançando o desenho e depois as pintando no ateliê de São Paulo. Não ficaram boas, mas fui em frente.
As coisas começaram a melhorar quando me concentrei em representar o que estava perto, o jardim do ateliê, os cômodos da casa.
Eu me dediquei dois anos e meio ao exercício de retratar, no ateliê Contraponto, mas não trouxe para meu ateliê esses esforços.
Um livro de técnicas de desenho pode conter exercícios módicos que podem mudar toda a perspectiva do exercitar. Um dos exercícios que fiz foi amassar um papel e desenhar suas dobras, seu contorno.
Eu poderia tentar outras estratégias, como pintar em telas maiores, de 70 x 80 cm, vamos supor, temas abstratos, como eu fazia quando tinha 10 anos. Sem intenção de chegar a lugar algum. Apenas botar alguma energia ali.
Mas como compartilhar isso com o mundo?
Hoje em dia temos Instagram, Facebook.
Deve-se compartilhar com o mundo os insucessos, ou apenas os sucessos?
Não consigo desenhar em papel nobre.
Apenas desenho sobre tela, me desenvolvo bem.
Rembrandt possuía os temas bíblicos como espaço para estudos.
Meus estudos, vão ser em torno de quê?
Van Gogh tornou cada cm de suas cenas cotidianas em assuntos para temas de desenhos e telas.
Como eu vou arranjar frutas e legumes para fazer meus arranjos la Cézanne?
Aonde mora o meu desejo? Em ser um artista que distorce a realidade, já não consegui o ser.
Eu vejo um pequeno esforço de luz sobre os retratos e acho que é sobre isso que devo me debruçar. Mesmo sem ter a ver com as colagens, que já estão sem espaço em meu ateliê.
Preciso voltar as artes da plasticidade. Sem saber como me desenvolver, como me habilitar novamente a frustração de fazer diversos trabalhos sem sucesso iminente.

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