Contra a intervenção do Superior Tribunal Militar
Em vídeo de fala mansa, recentemente um grupo não identificado fez uma tese de que todos os corruptos sejam julgados pelo Superior Tribunal Militar pois, no princípio, segundo o vídeo, o povo se uniu ao Exército para fundar o Estado. Sem contar como, este seria um momento de voltarmos ao princípio da suposta gênese de criação do Estado e irmos todos as portas dos quarteis pedir, com patriotismo no coração, a intervenção do STM sem derrubar Congresso e STF.
A agenda positiva do governo federal se viu eclipsada primeiro pelo ano eleitoral e depois pela pandemia do coronavírus. A celeridade de uma intervenção é citada no vídeo, não obstante trata-se de um ano praticamente perdido pela estrutura de nossa democracia impor ano eleitoral ano sim, ano não.
O vídeo defende intervenção militar com o atual presidente no poder. Entretanto, não diz quem vai dizer quem são os corruptos. Afirma que todo o Congresso é corrupto, o que discordo. As renovações da Câmara e do Senado nas eleições 2018 foram altíssimas e vemos um estágio de coesão do Congresso Nacional até favorável ao atual governo. O presidente do Congresso que as vezes se indispõe com o presidente da República e o preço desse protagonismo do presidente do Congresso é o presidente da República ter praticado no Congresso a anti-política, sem estabelecer bases ou lideranças e até mesmo saindo do partido que o elegeu sem envergadura para, com celeridade, fazer um novo partido político que, segundo ele, abarcará até 100 deputados federais.
Em 2005 a população votou pelo desarmamento. Eleger um presidente armamentista não cala o resultado das urnas de 2005. Um presidente é eleito com um grande leque de propostas e significados. Nem todas as propostas são aprovadas pela maioria que o elegeu. O povo elegeu uma maioria para tocar um barco que navega por conta própria. O plebiscito de 2005 é soberano e antes de mais nada, espera-se do governo o desenvolvimento do estágio de bem estar social pelo social liberalismo, bandeira que elegeu o presidente atual.
Detalhes como o armamentismo, a questão do aborto, o sistema de educação viriam na corrente do desenvolvimento que, este ano, foi interrompido pela agenda eleitoral do País.
Cabe pedir paciência e exigir que ano que vem volte-se a tocar o barco. Lamentando muito pelas reformas estruturantes serem postergadas mais uma vez. Mas cobrando seriedade e temperança do novo presidente do Congresso, que será eleito em fevereiro de 2021 para termos um País sereno e prudente de volta.
O que não dá é para perder a cabeça com uma proposta esdruxula, fazendo um vídeo sem assinatura, lidando com a imponderabilidade do conceito povo para o direcionar a porta dos quarteis para entregar a responsabilidade de julgar os corruptos pelo STM.
Talvez nos falte informação e o STM exista para julgar apenas os casos do próprio Exército. Quem sabe estejamos diante de uma proposta nítida e simples de subversão das atribuições do STM. Diante de tanta fantasia eu diria: nada a temer.
Triste é ver o presidente da República participando de atos em seu apoio que apoiam também a anti- democracia. Sabemos por palavras suas ser um defensor do voto como instrumento de chegada ao poder. A presidência é um símbolo da democracia. Ver o portador desse símbolo para lá e para cá a cavalo com faixas anti-democracia atrás de si corrobora uma visão de que ele apoia o fim da democracia. Estão faltando paciência e correção para aceitar que após a eleição a maioria construída em torno de si é enxugada para um jogo de pressões que mantenham a ordem, como a resistência ao armamentismo. Daí a dizer que o presidente está isolado é um exagero. Entretanto, construir maiorias no Congresso é extremamente factível e o presidente não deveria estar tentado a sentir-se isolado e adentrar em manifestações pró-governo para fazer sentir na sociedade que o povo está com ele. 4,5 de 10 brasileiros não votaram nele em 2018. Mais uma prova de que o poder emana sim do povo, mas é um complexo sistema de agenda e de estrutura de País cuja democracia representativa é a melhor maneira de administrarmos o quê dá para fazer de melhor pelo País, no tempo que temos.
Por fim, o vídeo menciona que corruptos não ficam presos. Oras, há muitos corruptos presos atualmente. Não são poucas as operações da Polícia Federal. Querer fantasiar que a corrupção não é combatida no Brasil vem a criar um clima de necessidade de exceção que está fora da realidade, criando sentimentos de irrelevância que não convém nem aos combatentes do crime nem a população que se sente ferida.
A agenda positiva do governo federal se viu eclipsada primeiro pelo ano eleitoral e depois pela pandemia do coronavírus. A celeridade de uma intervenção é citada no vídeo, não obstante trata-se de um ano praticamente perdido pela estrutura de nossa democracia impor ano eleitoral ano sim, ano não.
O vídeo defende intervenção militar com o atual presidente no poder. Entretanto, não diz quem vai dizer quem são os corruptos. Afirma que todo o Congresso é corrupto, o que discordo. As renovações da Câmara e do Senado nas eleições 2018 foram altíssimas e vemos um estágio de coesão do Congresso Nacional até favorável ao atual governo. O presidente do Congresso que as vezes se indispõe com o presidente da República e o preço desse protagonismo do presidente do Congresso é o presidente da República ter praticado no Congresso a anti-política, sem estabelecer bases ou lideranças e até mesmo saindo do partido que o elegeu sem envergadura para, com celeridade, fazer um novo partido político que, segundo ele, abarcará até 100 deputados federais.
Em 2005 a população votou pelo desarmamento. Eleger um presidente armamentista não cala o resultado das urnas de 2005. Um presidente é eleito com um grande leque de propostas e significados. Nem todas as propostas são aprovadas pela maioria que o elegeu. O povo elegeu uma maioria para tocar um barco que navega por conta própria. O plebiscito de 2005 é soberano e antes de mais nada, espera-se do governo o desenvolvimento do estágio de bem estar social pelo social liberalismo, bandeira que elegeu o presidente atual.
Detalhes como o armamentismo, a questão do aborto, o sistema de educação viriam na corrente do desenvolvimento que, este ano, foi interrompido pela agenda eleitoral do País.
Cabe pedir paciência e exigir que ano que vem volte-se a tocar o barco. Lamentando muito pelas reformas estruturantes serem postergadas mais uma vez. Mas cobrando seriedade e temperança do novo presidente do Congresso, que será eleito em fevereiro de 2021 para termos um País sereno e prudente de volta.
O que não dá é para perder a cabeça com uma proposta esdruxula, fazendo um vídeo sem assinatura, lidando com a imponderabilidade do conceito povo para o direcionar a porta dos quarteis para entregar a responsabilidade de julgar os corruptos pelo STM.
Talvez nos falte informação e o STM exista para julgar apenas os casos do próprio Exército. Quem sabe estejamos diante de uma proposta nítida e simples de subversão das atribuições do STM. Diante de tanta fantasia eu diria: nada a temer.
Triste é ver o presidente da República participando de atos em seu apoio que apoiam também a anti- democracia. Sabemos por palavras suas ser um defensor do voto como instrumento de chegada ao poder. A presidência é um símbolo da democracia. Ver o portador desse símbolo para lá e para cá a cavalo com faixas anti-democracia atrás de si corrobora uma visão de que ele apoia o fim da democracia. Estão faltando paciência e correção para aceitar que após a eleição a maioria construída em torno de si é enxugada para um jogo de pressões que mantenham a ordem, como a resistência ao armamentismo. Daí a dizer que o presidente está isolado é um exagero. Entretanto, construir maiorias no Congresso é extremamente factível e o presidente não deveria estar tentado a sentir-se isolado e adentrar em manifestações pró-governo para fazer sentir na sociedade que o povo está com ele. 4,5 de 10 brasileiros não votaram nele em 2018. Mais uma prova de que o poder emana sim do povo, mas é um complexo sistema de agenda e de estrutura de País cuja democracia representativa é a melhor maneira de administrarmos o quê dá para fazer de melhor pelo País, no tempo que temos.
Por fim, o vídeo menciona que corruptos não ficam presos. Oras, há muitos corruptos presos atualmente. Não são poucas as operações da Polícia Federal. Querer fantasiar que a corrupção não é combatida no Brasil vem a criar um clima de necessidade de exceção que está fora da realidade, criando sentimentos de irrelevância que não convém nem aos combatentes do crime nem a população que se sente ferida.
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